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experienciando a vida

Retrospectiva 2021


Bem, o ano não  foi o mais movimentado, nem um ano que eu possa dizer que fiz muita coisa, o que é algo bastante incômodo. Porém, resolvi fazer aqui, nos últimos minutos do segundo tempo, essa retrospectiva que envolve séries, livros, filmes, resoluções para 2022 e algumas das minhas conquistas - pessoais - desse ano fatídico. 

Pois bem, por ser fatídico, ele requereu escapismo, palavra esta dada a mim em 2020 e não somente a mim, mas, também a todos aqueles que buscaram nas artes uma forma de sobreviver ao horror que está sendo o início dessa década. 

Esse ano que não li muito, mas os poucos livros que li foram muito marcantes, alguns tive que sentar frente ao computador e começar a escrever a respeito, porque tinha tanta informação se interligando em minha mente que somente a absoluta necessidade de escrever poderia aplacar isso. E, por isso, vou começar por aqui.

LIDOS DO ANO: FAVORITOS

1. Passarinha, por Kathryn Erskine

Foto de autoria própria.

O primeiro livro favorito do ano foi Passarinha. Ele conta a história de uma garotinha que tem autismo e está enfrentando o luto, enquanto descobre seus processos, como lidar com o mundo e se relacionar com as pessoas aos seu redor. Uma leitura nenhum pouco monótona. A cada capítulo senti uma emoção diferente. Me proporcionou risadas, choros, momentos de choque e indignação, mas, teve uma emoção que sempre se sobressaía e estava em todos os capítulos: a empatia. Esta me acompanhou do início ao fim e apareceu nos momentos menos inesperados, mostrando que, até mesmo, as pessoas que mais erram merecem uma segunda chance. O livro foi inspirado na tragédia de Virginia Tech e, também, como diz a própria autora, na "necessidade de explicar como é, para uma criança, ser portadora da Síndrome de Asperger".*

Por experiência pessoal, o livro conversou muito comigo. Para quem não conhece minha história, em minha vida tenho alguém muito especial que possui o Transtorno do Espectro Autista. Foi ele, mais do que ninguém, que me ensinou o que é empatia, desde o momento que ele veio ao mundo, e a olhar com carinho para os outros e para a vida. Por isso, acredito fortemente que temos tanto a aprender com pessoas extraordinárias mais do que elas tem a aprender conosco. Acredito também que a autora foi extremamente feliz naquilo que se propôs. Seu livro se faz extremamente necessário. 

2. Flores para Algernon, por Daniel Keyes

Foto de autoria própria.

O segundo favorito do ano foi Flores para Algernon, de Daniel Keyes. A leitura foi em e-book no Kindle, mas, com toda certeza do mundo é um livro que quero na minha estante. Foi publicado em 1959 e tem uma abordagem muito empática e inteligente sobre questões sociais. É uma ficção científica em formato epistolar e o drama envolvido na história aborda questões sociais, como a discriminação, a pobreza e a complexidade das relações entre os seres humanos. Uma história extremamente sensível e que, em dados momentos, fez eu me sentir extremamente burra. Me fez parar e refletir sobre como eu tenho usado meu tempo e inteligência, que eu poderia (posso) fazer mais se me propor a ir até o final. 

Entre as várias críticas a inúmeras questões que a obra nos apresenta - todas elas são muitos válidas -, o que me tocou profundamente foi, novamente, a empatia presente nos personagens e, também, a que ele causa em nós leitores o tempo todo. É completamente impossível passar por esse livro sem sentir uma dose de compaixão, até mesmo para com o rato (leiam que vocês entenderão). Se tornou um favorito meu assim que terminei a leitura. 

O livro ganhou uma adaptação cinematográfica em 1968, dirigido por Ralph Nelson e estrelado por Cliff Robertson como personagem principal.

3. Jane Eyre, por Charlotte Brontë

Foto de autoria própria.

O terceiro favorito do ano foi Jane Eyre e aqui devo avisar que estou contando de acordo com a minha ordem cronológica de leitura. Realizei essa leitura juntamente com o Clube do Livro Classic Swan, minhas queridas crepusculetes. Não me admiro que ele tenha entrado para meus favoritos, pois, meu livro favorito da vida é obra de Emily Brontë, irmã da autora. Porém, devo admitir que há uma diferença notória entre ambos, mesmo que em quesito de denúncia as questões sociais da época e atemporalidade estes se fazem parecidos. Publicado em 1847, Jane Eyre é um romance clássico da literatura inglesa, mas, não apenas isso, também é um fiel retrato da sociedade inglesa da época e sua mentalidade quanto a inúmeras questões sociais, sendo algumas abordadas na história. 

O fato de ser um  clássico gótico e escrito por uma mulher, em uma época em que ser mulher e escrever livros não cabiam na mesma sentença, já é bastante suspeito para ser favoritado por mim. Contudo, o heroísmo presente na personagem principal, que carrega o título da obra, envolto a tudo que a autora apresenta durante a história para a construção da personalidade determinada e empática de Jane, foi o que me conquistou. O desfecho do livro foi um dos melhores que li até agora. Também se tornou um favorito meu assim que terminei a leitura. 

"Quero nutrir, não definhar;

quero despertar gratidão,

não lágrimas de sangue— ou de sal;

minha colheita deve ser feita

de sorrisos e ternura."

Jane Eyre, p. 301

A obra já foi retratada no cinema em 1943, pelo diretor Robert Stevenson, em 1996, dirigido por Franco Zeffirelli e em 2011, direção de Cary Fukunaga, tendo Jane Eyre interpretada por Mia Wasikowska, atriz de Alice no País das Maravilhas.

4. O Exorcista, por William Peter Blatty

Foto de autoria própria.

O quarto e último livro favoritado de 2021 foi O Exorcista, leitura que realizei juntamente com o Clube do Livro do Querido Clássico, site que, atualmente, sou redatora. E o que falar desse livro? Há tanto para ser debatido que é possível perder a linha de pensamento. Adianto logo que não se trata apenas de  um livro de terror sobrenatural. Na verdade, o que mais assusta durante a leitura é a pobreza, o desespero, o luto, a depressão, a luta pela fé. Não irei me aprofundar muito sobre o livro em si, pois irei deixar aqui link de dois textos publicados no Querido Clássico, um deles de autoria minha, dissertando sobre pontos importantes da obra. 

Contudo, a perspicácia do autor em abordar o diálogo e a dualidade entre fé e ciência ao longo do livro foi o que fez este se tornar um favorito meu. O mais interessante ainda é que essa dualidade depende da interpretação, do ponto de vista de quem está lendo. É mais um livro que quero muito ter na estante para revisitá-lo constantemente, assim como todos citados aqui. 

A obra possui adaptação cinematográfica de 1973 que, acredito eu, ser conhecida pela maioria das pessoas. Apesar de ter sido dirigida também pelo próprio William Peter Blatty, algumas questões mais profundas se encontram melhor trabalhadas no livro, mas, nada que tire o brilho do filme em questão.

Esses foram os quatro livros que mais me marcaram e conversaram comigo durante este ano. Fiz poucas leituras e, de forma não intencional, me concentrei mais em séries e filmes, portanto, a seguir meus assistidos preferidos de 2021.

ASSISTIDOS DO ANO: FAVORITOS

1. Aves de Rapina, direção por Cathy Yan


Apesar de ser um filme de 2020, só pude assisti-lo em 2021. E sim, gente... Eu amei este filme. Eu não me guio por críticas e opiniões populares, sei que há uma grande quantidade cinéfilos e dcnautas que o detestaram, mas eu amei. A atuação impecável da Margot Robbie, a emancipação da Arlequina diante o Coringa, a forma como esta personagem dissocia em alguns momentos de ação, um empoderamento feminino em Gotham e um conceito de psicodelismo. Afinal, não é todo dia que uma cidade vê ratos e Arlequina mergulharem em uma estrela gigante alienígena, não é mesmo? Portanto, o filme entrou para a minha lista de favoritos de 2021. 

2. Viúva Negra, direção por Cate Shortland


Deus é minha testemunha do quanto esperei por esse filme. E que filme! O único defeito é ter chegado tarde demais. Mas, é como dizem: antes tarde do que nunca. Não vou elaborar muito meu favoritismo por este - ouse dizer ser um dos meus preferidos da Marvel, assim como a personagem em questão -, porém, conhecer mais da Nat, sua história e sua família (e que família, hein) me trouxe ainda mais apego a personagem e lamentar ainda mais sua morte. Não consigo assistir Vingadores: Guerra Infinita novamente por este motivo, sei que quando chegar no momento de sua morte será extremamente doloroso, agora que sei da Yelena, inclusive, estou ansiosa para ver mais dela no MCU. Também deixo registrado meu fascínio pela atuação da Florence Pugh e Rachel Weisz, escolhas certeiras para os papéis que atuaram.

3. tick, tick... BOOM!, direção por Lin-Manuel Miranda


Jamais imaginei que fosse chorar assistindo a este musical. Foi subjetivo demais. Saber que foi inspirado na história de vida de Jonathan Larson torna tudo ainda mais belo, triste e grandioso. A direção de  Lin-Manuel Miranda é impecável. Além disso, o filme em si faz um grande encontro entre estrelas da Broadway. Uma surpresa? Saber que Andrew Garfield canta e bem! Merece todo o carinho e atenção que tem recebido esses últimos tempos.

4. Violet Evergarden - O filme, por Kyoto Animation


A animação em questão é o encerramento da história do anime de mesmo nome, disponível na Netflix. A história de Violet é de evolução e coragem e a mesma trabalha com algo que sou encantada: cartas, mas essa nem sempre foi a sua vida. O filme traz ao final exatamente eu queria e torcia para ver: Violet encontrando seu amado. A história me lembra, pelo menos em alguns aspectos, Jane Eyre. A heroína que sofre até, finalmente, ter seu momento de felicidade com seu amado. A animação é impecável em todos os aspectos, dá um show visual. 

5. Encanto, direção por Byron Howard e Jared Bush


O final de 2021 presenteou o mundo com Encanto e eu, obviamente, estou encantada. A animação é perfeita, todos os elementos da cultura latina presentes me dão o conforto e a representatividade que sempre senti falta em filmes da Disney. A história traz a tona uma realidade de muitas famílias latinas e a forma como o filme é fiel a isso é encantador (irei explanar em um texto aqui no blog posteriormente). Além disso, o que falar da trilha sonora? Lin-Manuel Miranda provando, sem precisar, mais uma vez que é incrível em tudo o que se propõe. Estou viciada em We Don't Talk About Bruno e Dos Oruguitas.

6. She-ra e as Princesas do Poder, por Noelle Stevenson


A animação é 2020, mas, mais uma vez, só pude assistir em 2021. E fiquei apaixonada por tudo o que vi. Uma She-ra não sexualizada, super heroínas usando rosa e brilhos, uma mensagem necessária sobre questões de gênero, amor, perdão e empatia. Meus parabéns e um muito obrigada à Noelle Stevenson por isso! Pretendo escrever posteriormente, aqui no blog, sobre algumas coisas que me chamaram atenção.

7. The Witcher: Season 2, direção por Tomasz Bagiński e Alik Sakharov


Aqui ouso dizer que a segunda temporada entregou muito mais que a primeira. Valeu esperar dois anos. O desenvolvimento da relação pai e filha entre Geralt e Ciri era tudo o que eu precisava, mas, o que foi ainda melhor de assistir foi o desenvolvimento da Yennefer que, mesmo sem poderes, não perdeu o brilho nas cenas e continuou sendo maravilhosa! Ansiosa para ver o desenvolvimento da relação mãe e filha entre ela e a Ciri. Dona Netflix, nem me invente de querer cancelar esta série, estamos entendidas? 

Essa foi a retrospectiva de assistidos desse ano. De uma lista de 50 assistidos, 7 foram para os favoritos. E normal. Isso não quer dizer que os outros não são bons, não é isso. Minha lista de favoritos sempre está relacionada a coisas que conversam comigo de forma subjetiva ou que possuem uma memória afetiva muito forte. Por isso, a seguir, a lista de álbuns preferidos de 2021.

ESCUTADOS DO ANO: FAVORITOS

1°. Red Taylor's Version, por Taylor Swift 


Não é nenhuma novidade, para quem me conhece, Taylor estar em 1° lugar, principalmente com Red TV. Não comecei o ano ouvindo este álbum, afinal, ele foi lançado no segundo semestre de 2021, contudo, Taylor embalou meu ano inteiro com folklore e evermore. Quando ela lançou Red, a versão de 10 minutos de All Too Well e o Short Film com o Dylan O'Brien e a Sadie Sink, eu não pude ouvir outra coisa, porque era impossível e ainda está sendo um pouco. A subjetividade desse álbum e como ela transformou tristeza e luto pós-término de relacionamento em arte é algo que me fascina. Mas, o álbum em si, agora, não é sobre isso e sim, sobre como ela está feliz e bem estruturada e agora detém o direito sobre suas músicas, seu trabalho, sua arte e pode fazê-la como bem entender, pois tem liberdade para isso. 

2°. Equals, por Ed Sheeran


Primeiramente, eu gostaria de dizer que sabia desde o início que era = e que seria na cor vermelha. Fontes? Eu só sabia. Mais uma vez, o ruivo me trouxe uma felicidade infinita com suas músicas, sua arte, provando que ele sempre aparece quando eu mais preciso. E eu sou apenas grata, por mais uma vez, ter sido consolada pelo Ed através das 14 faixas desse álbum incrível. Não sou nem capaz de definir uma favorita. Ansiosa pelo que ainda está por vir!

3°. The Architect, por Kerry Muzzey


Na minha empreitada pela dark academia (um aesthetic que se popularizou muito em 2020/2021), encontrei este álbum de 2014. Não lembro exatamente quando o descobri, só sei que 2021 ele foi trilha sonora de minhas horas de estudos e de meditação. Algumas vezes, o ouvia apenas por apreciação. Eu penso em cenas de livros de alta fantasia e, também, cenas de guerra. Existe um sentimento saudoso, uma emoção nas canções contidas aqui, algo que não sei bem explicar, porque acho que não é explicável, apenas sentido. É possível encontrar no YouTube vídeos da performance completa. Também não sou capaz de escolher uma música favorita. 

Sim, eu ouvi outras coisas além de Ed Sheeran e Taylor Swift e, mais uma vez, reitero: meus favoritos sempre estão relacionados a coisas que conversam comigo de forma subjetiva ou que possuem uma memória afetiva muito forte. E aqui há muito disso.

Minhas resoluções para 2022

Bem, para 2022 há muitas coisas que eu gostaria de fazer e outras que realmente preciso. Não sei o que esperar deste ano, ninguém sabe, na verdade. Mas, quero muito chegar aqui em dezembro do ano que vem e escrever que li os 30 livros da meta que estipulei. Portanto, minha resolução para 2022 é simples: ler mais. 

Gratidão

Aqui deixo registrada minha gratidão a todos que passaram por este ano comigo, seja virtualmente ou presencialmente. Não teria sido possível suportar este ano sem apoio, sem uma palavra amiga e sou grata a todos que se mantiveram ao meu lado. Mas, também sou grata a mim, que me dei colo quando ninguém pôde, por coisas que ninguém sabia. Então, obrigada a mim mesma por não ter desistido de mim, por ter evoluído o tanto que pude, dentro dos meus limites. Estou feliz e grata pelo o que sou neste 31 de dezembro de 2021.

Grata também pelas conquistas que fiz esse ano. Não foram muitas, mas, significativas. Em fevereiro, eu formei em Direito e fechei um ciclo para que outro pudesse começar. Em novembro, fui admitida como redatora no Querido Clássico e conheci um grupo de mulheres incríveis e minha editora, todas queridas e tem sido uma experiência incrível fazer parte deste projeto com elas. Escrever e pesquisar para este site tem sido a confirmação de que esta é a forma como, realmente, quero atuar e ser vista na Internet, fazendo o que gosto, escrevendo sobre o que amo. Por fim, mas, não menos importante, grata por todos os colaboradores e apoiadores da JAMBO Literário, à equipe que não desistiu e se dispôs a continuar comigo em 2022, acreditando neste projeto lindo. 

A todos que lerem e chegarem até aqui, um feliz ano novo, do fundo do coração. Meus mais sinceros votos de paz, saúde e alegria! 

Até ano que vem e feliz 2022!


* De acordo com o DSM-5, publicado em 2013, o termo síndrome de Asperger não existe mais, sendo tudo enquadrado na sigla TEA (Transtorno Espectro Autista).

LINKS:

Além do demônio: Damien Karras e o horror social em O Exorcista: https://www.queridoclassico.com/2021/10/damien-karras-o-exorcista.html.

O Exorcista: a fé de mãos dadas com a ciênciahttps://www.queridoclassico.com/2021/11/o-exorcista-fe-e-ciencia.html.


Comentários

  1. Adorei ler sua retrospectiva. Os livros e filmes que não conheço, fiquei com vontade de conhecer. Jane eyre li há alguns anos, lembro q foi uma leitura muito bacana. E eu preferi a primeira temporada de The Witcher hahahaha Acontece... Minha resolução para 2022 também é simples. Revisitar autores que gosto e conhecer novos. Um feliz ano novo!!

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    1. Além disso, tenho como meta ler mais livros escritos por mulheres e, também, ler mais nacionais, este último não precisa ser clássicos.

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  2. dois dos livros que você leu está na minha lista para esse ano! Em 2021 encontrei conforto nas artes e na literatura como em nenhum outro ano, e espero que continue em 2022. Te desejo um ótimo ano novo, e muita felicidade!
    Abraços!
    claraaoliveira.blogspot.com

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    1. Obrigada, Clara! Feliz em tê-la por aqui. Se puderes dizer quais são os livros, fiquei curiosa. =)

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