Hoje eu entendi algo que Deus vem tentando mostrar há muito tempo: chegou a hora de reagir. Não é mais um alerta vago, não é mais um incômodo no fundo da alma. É um chamado claro, direto e urgente. Um chamado para levantar, reconstruir e parar de me negligenciar.
Nos últimos anos, caminhei por um deserto que, em grande parte, eu mesma ajudei a criar. E Deus, em Sua misericórdia, não me tirou de lá, Ele entrou comigo. Assim como em Lucas 9:13–17, Ele não retirou a multidão do deserto, mas cuidou deles ali mesmo. Comigo foi igual. Ele não me tirou da dor, dos diagnósticos, das limitações, do cansaço. Mas Ele permaneceu. Alimentou minha fé quando eu já não tinha forças. Sustentou meu espírito quando o corpo gritava.
Eu negligenciei minha saúde física e mental. Ignorei sinais. Empurrei responsabilidades. Deixei espinhos crescerem em áreas que precisavam de cuidado. E hoje vejo as consequências: cicatrizes emocionais, desgaste físico, crises evitáveis. Com transtorno bipolar, fibromialgia e síndrome do intestino irritado, eu fiz exatamente o que Provérbios 24 denuncia, deixei o campo que Deus me deu sem manutenção.
Mas Ele não me deixou lá, caída.
Foi então que Provérbios 24:16 veio como luz: “Ainda que o justo tropece sete vezes, voltará a se levantar.” Esse sou eu. Caí, tropecei, perdi o ritmo, desmoronei por dentro, mas Deus está me chamando a levantar. Não para fingir força, mas para assumir responsabilidade. Não para me culpar, mas para me reconstruir. Não para voltar ao que era, mas para ser o que Ele sabe que eu posso ser.
E quando olho para Provérbios 24:30–34, eu enxergo minha história. Espinhos, muros caídos, abandono, adiamentos, negligência… e Deus me dizendo: “É por isso que chegamos aqui. Mas não é aqui que você fica.”
A verdade é dura, mas libertadora: negligência acumulada cobra caro, mas reação imediata restaura rápido. Hoje, Deus está firmando em mim três verdades fundamentais. A primeira é que cair não me define; permanecer caída, sim. A segunda é que o deserto não é punição, mas um ponto de virada. A terceira é que cuidar de mim não é vaidade, é obediência, obediência ao Deus que me chama para responsabilidade, maturidade e vida plena.
Se Ele quiser me curar, Ele pode. Se Ele não me livrar do diagnóstico, Ele continua sendo Deus e continua comigo no deserto. O que Ele não fará é permitir que eu volte à negligência que me trouxe até aqui. Não depois desse chamado. Não depois dessa revelação. Não depois de tudo o que Ele já me mostrou com tanta clareza.
Por isso, hoje eu digo com consciência e coragem: chegou a hora de reagir. Chegou a hora de me levantar. Chegou a hora de me cuidar. E eu não me levanto sozinha. Eu me levanto com Ele. Eu reconstruo com Ele. Eu caminho com Ele.
Assim, o deserto deixa de ser lugar de abandono para se tornar um território de restauração. É ali, justamente onde tudo parecia árido e perdido, que Ele decide recomeçar comigo.

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